quinta-feira, 11 de abril de 2013
Você não vem. Não chega.
Dentre as coisas que mais aprecio olhar, a fumaça do cigarro é uma delas. Na falta do cigarro em outras mãos, coloco-o nas minhas. E me sento na cama que agora fica ao lado da janela. E ali o fumo. E ali penso nele. E ali penso neles. E ali resolvo colocar em palavras o que já nem sinto mais. Ou ainda não sinto. Me prendo à maneira de escrever daquela que gosto de ler. Cheia de ponto finais. E sem ponto final nenhum.
Um chá. Uma cerveja. Outra cerveja. Um filme. Parece uma ótima ideia. A chuva, que também parece uma ótima ideia, cai nos créditos do filme que nem começou. E, assim, desanimamos-nos. Mas ainda espero que o interfone toque. Ou o celular. Fumando mil cigarros. Bebendo Coca-Cola.
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
A mais frequente e dolorosa
- Ele está com as malas prontas?
- Sim.
- E como você está em relação a isso?
- Sim.
- E como você está em relação a isso?
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Duas vezes Luiza
Os motivos dos meus maiores desequilíbrios, tanto antes quanto agora, possuem o mesmo nome. Não o mesmo sobrenome, mas sim o mesmo nome. Com as Gabrielas eu nunca me importei. Tampouco com as Carolinas. O meu problema foi e continua sendo com as Luizas. Essas para quem até Chico compôs uma canção. Essas versões femininas do meu pai. Essas moças tão mais intensas e amáveis do que eu. Essas que, se antes foram odiadas, hoje são amadas por mim.
Minha primeira Luiza foi uma louca. Foi uma atrevida. Foi um sorriso provocante. Virou meu assunto principal e me secou de tanto choro que causou. Minha primeira Luiza me deu medo. Me deu raiva. Me tirou a fome. Minha primeira Luiza sabe como agradar um homem e desagradar uma mulher. Ela, quando ama, ama demais. Ela, quando odeia, odeia demais. Ela, quando perto de mim, me enlouquecia demais. Minha primeira Luiza me ensinou a arte da paciência e do desapego. Me ensinou a abraçar o desconhecido. Me ensinou a morrer e a ressuscitar. Minha segunda Luiza é um pouco mais ausente, é um pouco mais discreta, é um pouco mais elegante. Minha segunda Luiza pensa, equivocadamente, que se parece comigo. Pensa que ele não me gosta. Pensa que sou triste. É um mistério que eu desvendei sem muita vontade. Minha segunda Luiza não me proporcionou tantas noites ruins. Não me maltratou tanto. Não me atormentou tanto. Mas me foi como uma overdose de realidade. Minha segunda Luiza é um sinônimo de verdade. É a razão pela qual eu deixei de chorar. É a razão pela qual eu deixei de acreditar. Vive às escondidas e assim continuará, pois me ensinou também a guardar segredos e a preservar amizades.
As minhas duas Luizas sumiram de vista, mas deixaram significativas recordações. Uma das minhas Luizas me causou tanto dano, que hoje a amo. A outra me causou tanta desilusão, que hoje também a amo. As minhas Luizas me surpreenderam tanto que acho até que um homem, para me ter, precisa antes ter uma Luiza. Se não... não me acrescenta em nada. Não me ensina nada. Não me ama nada.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Palavras da madrugada
- Faz tanto tempo que não escrevo nada...
- Eu também.
- A inspiração está aí, mas não sei muito bem o que fazer com ela.
- Exatamente! O Vanguart já lançou um disco novo e não escrevi nem um poeminha sobre o jardim.
- O sol já deu tchau pro Rio Grande do Sul e eu não esquento nem embaixo das cobertas.
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
15 palavras para dois
1. Indiferença
2. Simpatia
3. Semelhança
4. União
5. Paixão
6. Amor
7. Saudade
8. Ciúme
9. Obsessão
10. Descontrole
11. Afastamento
12. Tristeza
13. Fuga
14. Depressão
15. Apatia
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
domingo, 8 de maio de 2011
De quinta para sexta
- Uma conclusão minha: quando cito Freud, significa que estou com muito sono.
- Quando não durmo, começo a pensar que poderia pensar muito mais, se estivesse acordado o tempo todo, mas sonharia muito menos.
sexta-feira, 25 de março de 2011
Dia sim - Dia solidão
-A solidão é um bicho de quatro cabeças, dizia ela. -Quatro cabeças beges. Cada cabeça com seu sorriso malicioso adorando cada olhar ao além, cada letra digitada, cada movimento do cabelo ao vento. Um minuto era confundido com dois, dois com quatro, quatro com oito... As folhas já não aguentavam mais a dor que o grafite provocava. O grafite, por sua vez, não aguentava mais escrever a dor. A dor era outra que não aguentava mais... não aguentava mais ser sentida. -Tem gente viva lá fora, anunciava a televisão. -A televisão não sabe de nada, afirmava ela. Fazia as pazes com as cabeças quando ia procurar aquela gente viva, descobria que era lenda, encontrava o álcool.
Sem expectativa alguma, mas com um sorriso estampado no rosto, convidou aquele cara pra sair. Ele falava, ela sorria. Ela falava, ele sorria. Eles bebiam. Estava acostumada a ouvir que é mais fácil se envolver com quem passou pelas mesmas situações e teve as mesmas desilusões. Não tinha prova. Mas havia encontrado uma, ali.
As mãos entrelaçadas. A respiração alta que costumava ser tão irritante antes dele. O chuvisco da televisão quase que rindo da ironia. O corpo encostando na parede de tão apertado que estava aquele sono. As imaginarias pétalas de flores enfeitando o lençol. Mais tarde, ou mais cedo, os bocejos. O barulho da bolacha de sal quebrando nos dentes de ambos. O abrir e fechar da torneira do banheiro. O estalo do beijo de despedida. E, mais uma vez, as quatro malvadas cabeças.
- Parem já de me encher o saco, cabeças! Dessa vez tem um sabonete derretidinho no banheiro esperando pelo seu dono.
Para Isabel Fogaça.
terça-feira, 8 de março de 2011
Faz falta um homem apaixonado
O que fez de você um homem não mais apaixonado? Essa cara boba de sempre não combina com o atual grito de prazer, mas sim com o antigo grito de felicidade. Se lembra dele?
As suas palavras tão bem selecionadas na minha caixa de mensagens que me faziam pensar estar beijando Camões ao fechar os olhos. O seu olhar misto de desespero e compaixão quando as lágrimas insistiam em rolar pela minha face. O seu sorriso-Mona Lisa depois dos meus "o que foi?" constrangidos ao ser olhada durante segundos sem desvio algum que, alias, poderia facilmente ser classificado como a oitava maravilha. Os seus habituais abraços apertados assistidos pela lua e pelas estrelas. As noites de boa música no carro parado em um deck qualquer feitas por você depois de um filme - nem sempre bom. Aquele sentimento que você sempre citava... como é mesmo o nome? Saudade? Acho que é esse mesmo. Seus desenhos e as minhas dobraduras - perceba como fomos nos misturando ao decorrer deste texto.
Seu segundo nome, intensidade. Sua segunda arte, a poesia. Sua terceira mulher, eu.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
O meu labirinto. E o seu.
São engraçados os caminhos que se moldam sozinhos. Mais engraçados ainda são os caminhos que nós mesmos fazemos. O amor ou a falta dele, o interesse ou a falta dele, o medo ou a falta dele... tudo isso nos influencia sem notarmos até a cara quebrar, até a ficha cair.
Eu disse engraçado? Acho que a palavra não era essa. Talvez "trágico" se encaixe melhor.
Como pode o poder da palavra ser tão absurdo quanto a insignificância da mesma? Eu me lembro de ter dito "eu te amo" sem sentir nada e agora, mesmo sem dizer, sinto. Você se lembra de ter ouvido o adeus e ter a sensação de que o mundo caiu sobre a sua cabeça e agora ouve o choro sem sentir nenhuma palpitação no coração. Ambos tiveram o clássico medo de perder para os melhores mas continuaram caminhando até o prêmio idealizado. Todos os planos juntos fugiram dos dois e isso fez com que os planos individuais se perdessem entre os outros. Estranhamente, os sentimentos também se confundiram e agora nem sabem mais se definir.
Diante das mudanças, procuram se consolar aqui ou alí, mas... espera aí! Não é que o futuro tem uma carta na manga?! A vida jogou um pra lá, o outro pra cá e eles ainda têm objetivos, mas não fazem a mínima idéia de como chegar lá. Agora ele consola ela, ela consola ele e, mais uma vez, a confusão está feita. É mais um trágico caminho à ser seguido.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Conforme-se
Enfiei as mãos de unhas bem feitas dentro do guarda-roupa, tirei todos os vestidos e estendi-os na cama. Um mais belo que o outro. Escolhi aquele que poderia ser usado tanto em um piquenique quanto em uma festa de reveillon. Ao invés de meia, fiquei uma hora embaixo do chuveiro. Levei pra cabeça o shamppo mais cheiroso, o condicionador que dá no cabelo um efeito de sereia. Na secagem, o processo foi outro. Escovei as madeixas cuidadosamente com o secador ligado. A minha pele lisa foi bem cuidada e depois pintada. Os cílios tão grandes que chegavam a deixar marcas nas lentes do óculos. No pescoço estava o cheiro de doces, os doces mais suaves.
Estava pronta. E linda.
Ele não me elogiou, mas me levou pra casa.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Ano "novo"
Na tentativa de fazer um texto comemorativo, consegui um conto triste sem fim. Mas o ano não foi só isso. Morou em 2010, as lágrimas derramadas, merecidas e enxugadas. O álcool, as festas, os beijos e os abraços. A cintura que duas mãos fechavam, as pernas finas e o cabelo escuro. Blues, Folk, Raul, você, eu e eu. Os livros, os quadros e as fotos emolduradas. A angústia, a solidão, a felicidade, a amizade e a empolgação.
Em 2011... que more tudo novamente.
domingo, 3 de outubro de 2010
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Respondeu-me
"Cheia de desejos -poucos deles realizados, olha para o mundo como se este fosse um parque de diversão. E se machuca ao notar que, na verdade, é um ranking. Fecha os olhos cedo demais e isso dificulta o abrir deles quando necessário. Esquece que os problemas de quem convive com você, às vezes, não são seus. Canta alto a felicidade sem nem mesmo ter começado a melodia. Sente em demasia, mas sua pouca fala cria confusão em cabeças alheias. Abraça as novidades sem preocupação alguma com o futuro.
Tome cuidado, anjo sensível. Não acho que deva aposentar o sistema límbico, apenas escute outras vozes."
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Açucaradas mudanças
Ai, que saudade da minha rotina aos 7 anos... quando a unica que precisava estar vestida com luxo era a boneca Susi porque toda tarde, ao voltar da escola, esbarrava com meu vizinho: o falso Ken; meu unico amor platônico era o Goku(apesar de todas as outras boas opções que me oferecia o desenho), um simples contorno da minha mão era pendurado na parede e minhas ambições se baseavam em brinquedos, doces e travessuras.
Não é que meus pais estavam certos? Eu realmente dou trabalho e continuo passando no dentista com freqüência. Infelizmente, todo o resto mudou. Agora, conheço os meus demônios e eles clamam por roupas bonitas, fazem meus amores platônicos se multiplicarem a cada semana e me deixam pensar que tudo o que faço não é bom o suficiente. Será que alguém pode me emprestar uma máquina do tempo?
Voltar pra época em que músicas infantis eram gravadas em fitas e ensinavam a escovar os dentes é o que quero, mas está tarde demais. Já me deixei levar pelas tentações que a noite oferece e, conciliar isso com as jujubas... é travessura.
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